Como Você Passa de Criador de Conteúdo para um CEO que por Acaso Cria Conteúdo?

Luiz Menezes
Fundador · Trope-se · 03 de julho de 2026

O painel From Creator To CEO: Building Scalable Brands With AI, apresentado no Cannes Lions 2026, começa com a moderadora Jamie Gutfreund situando o tema diante de uma plateia de criadores e fundadores, ao argumentar que o salto mais difícil dessa indústria não é sair de zero a um milhão de seguidores, mas deixar de ser alguém que faz conteúdo para virar alguém que toca um negócio, condensando o desafio na pergunta que organiza toda a conversa: "Como você passa de uma pessoa que cria conteúdo para um CEO que por acaso cria conteúdo?".
Na sequência, David Wadhwani, presidente do negócio de criatividade da Adobe, responsável por produtos como Photoshop, Premiere, Illustrator, Firefly e Acrobat, e Steven Bartlett, criador do podcast Diary of a CEO e fundador da steven.com, descrita como um sistema operacional que ajuda criadores a transformar seus canais em empresas, entram na discussão.
Provocado sobre o que separa os criadores que constroem negócios duradouros daqueles que apenas sobrevivem em meio ao excesso de conteúdo disputando atenção, David aponta três pilares: a autenticidade ("você tem uma história para contar e essa história vai ressoar?"), a narrativa em si (a capacidade de contar essa história de um jeito que conecte e sustente uma relação de longo prazo com a audiência) e a experimentação (se expor, testar coisas diferentes, prestar atenção ao que funciona e "seguir o que esses dados estão te dizendo").
Esse ponto dialoga de perto com o estudo SXSW 2026 do InstitutoZ, que aponta que, com a IA reduzindo as barreiras de produção, o diferencial competitivo migra da execução para a autenticidade, a linguagem própria e a diferenciação cultural.
Steven Bartlett descreve um cenário que chamou de "Facebook Zero" — onde o alcance orgânico simplesmente tende a desaparecer. Daí nasce a metáfora do criador como marionete cujo mestre é a plataforma: o criador se apresenta conforme o que o algoritmo pede hoje, até que o algoritmo muda, ele perde relevância e seu modelo comercial evapora da noite para o dia.
Para escapar disso, ele defende construir um negócio "à prova de algoritmo". Ele ilustra o valor da falha com um caso em que uma mudança de dez segundos elevou em 178% a taxa de conversão de visualizações em inscritos, enquanto as outras nove tentativas fracassaram — resumindo que "uma em dez paga pela leva inteira".
Essa leitura conecta-se a dois dados do InstitutoZ. O primeiro: 55% dos creators consideram a imprevisibilidade dos algoritmos um dos principais obstáculos para gerar receita. O segundo: a recomendação de que creators busquem maior autonomia por meio de comunidades próprias, newsletters, memberships e canais diretos com a audiência.
A virada encontra respaldo direto no estudo "Quem Influencia a GenZ?" (InstitutoZ, em parceria com a YOUPIX), que mostra que, para a GenZ, o tamanho da base de seguidores quase não importa: 37% confiam mais em creators de base pequena ou média, 56% são indiferentes ao tamanho da base e apenas 7% confiam mais em grandes influenciadores. O estudo resume esse deslocamento na ideia de que a influência é resultado da identificação e da confiança conquistada — sendo que ser conhecido não é mais a mesma coisa que ser reconhecido.

Luiz Menezes
Fundador · Trope-se
✹ CEO & Fundador da Trope-se | Consultor de geração Z & Creator Economy | 30under30 m&m | Speaker | Apresentador | Colunista | Top Voice LinkedIn
